Política

Mesmo ressarcido se desistisse, governo renunciou a ampliar compra de vacinas do Covax, mostram documentos

Documentos do Ministério das Relações Exteriores enviados à CPI da Covid e obtidos pela TV Globo mostram que em julho do ano passado o governo brasileiro foi informado pela Aliança Mundial para Vacinas e Imunização (Gavi) que seria ressarcido caso desistisse de comprar vacinas do Covax, consórcio internacional de vacinas.

Na ocasião, ainda não havia vacinas contra a Covid disponíveis no mundo. Mesmo assim, segundo os documentos, o Brasil optou por encomendar a quantidade mínima prevista pelo consórcio (para 10% da população) — chegou a cogitar adquirir 20%, mas reduziu para 10%.

A informação do Itamaraty enviada à CPI consta de uma correspondência trocada entre o ministério e a embaixada do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU).

No documento, os diplomatas brasileiros disseram:

“No pior cenário possível, em que não se chegue à vacina em prazo razoável, ou caso os países decidam retirar seus recursos para investir em outras soluções, a Gavi informou que seria possível, a princípio, haver a devolução do montante, após o pagamento de valores reservados”.

De acordo com o consórcio de veículos de imprensa, com base em dados das secretarias estaduais de Saúde, 11% da população brasileira foi vacinada com as duas doses até as 20h36 desta quinta-feira (10).

Ainda conforme o consórcio, o país já ultrapassou 480 mil mortes por Covid e 17,2 milhões de casos confirmados da doença.

Governo diz que gastou mais de R$ 23 milhões com propaganda de tratamento precoce

Propaganda do tratamento precoce

Em outro documento enviado à CPI da Covid e também obtido pela TV Globo, o Ministério da Saúde informou que foram gastos R$ 23 milhões com campanhas de divulgação do chamado tratamento precoce contra a Covid.

O tratamento precoce, por meio do uso de medicamentos como cloroquina e ivermectina, é defendido pelo presidente Jair Bolsonaro. No entanto, estudos científicos já comprovaram a ineficácia desses remédios contra a Covid.

O governo pagou US$ 10 (R$ 51,20, pela cotação desta sexta) por dose da vacina da Pfizer. Com os R$ 23,3 milhões gastos com a propaganda do tratamento precoce, seria possível adquirir 456.718 doses da vacina, o suficiente para imunizar com duas doses quase toda a população de uma cidade como Presidente Prudente (230 mil habitantes), no oeste de São Paulo.

Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que não veiculou propaganda sobre tratamento precoce. “Foi realizada uma campanha sobre tratamento imediato para orientar a população a procurar uma unidade de saúde ao sentir os primeiros sintomas da Covid-19”, acrescentou a pasta.


Fonte: G1 – Política

Portal G1

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