Política

Com alta do desmatamento, Mourão diz avaliar operação com ‘custo mais baixo’ de militares na Amazônia

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, disse nesta segunda-feira (7) que discute com o Ministério da Defesa a criação de uma nova operação das Forças Armadas para combater o desmatamento e outros crimes ambientais na Amazônia.

Presidente do Conselho Nacional da Amazônia Legal, Mourão deu a declaração ao comentar a alta nos registros de desmatamento na região, conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Em maio, a Amazônia Legal bateu pelo terceiro mês seguido recorde de área sob alerta de desmatamento. Até o dia 28 do mês passado, a região tinha 1.180km² de área sob alerta de desflorestação, o maior número para o mês desde 2016.

Mourão relatou a jornalistas que conversará nesta segunda com o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, sobre uma nova operação de garantia da lei e da ordem (GLO) com “custo mais baixo”.

Depois de falar com o ministro, Mourão disse que pretende discutir o tema com o presidente Jair Bolsonaro, que tem a competência para autorizar o emprego de militares no combate ao desmatamento.

“Hoje [segunda] eu vou conversar com o ministro Braga Netto. Eu pedi para ele antes de sair para o feriado para fazer um levantamento de uma operação de um custo mais baixo, operando só nas áreas onde estão havendo maiores problemas. Ele deve me dar uma resposta hoje e eu preciso falar com o presidente”, afirmou Mourão.

Criticado no Brasil e no exterior por sua política ambiental, o governo Bolsonaro decretou duas GLOs que permitiram a atuação das Forças Armadas no combate à crimes ambientais. A última GLO se encerrou em abril após Bolsonaro não renovar a medida.

Com o fim da operação Verde Brasil 2, no início deste ano, o governo concentrou a atuação das agências de fiscalização, como Ibama e ICMBio, em 11 municípios da Amazônia com maior ocorrência de ilegalidades.

Segundo Mourão, o governo avalia criar uma rubrica no orçamento para auxiliar com inteligência e logística os órgãos ambientais ou acionar novamente as Forças Armadas, desta vez com atuação concentrada nas áreas mais preocupantes.

“Tem duas linhas de ação: ou abre uma ação orçamentária e a gente dá um apoio de inteligência, logística para as agências, ou bota uma GLO mais tímida”, disse.

Questionado se discute o assunto com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Sall,es Mourão disse que “faz muito tempo” que não o vê. Salles, que foi alvo de uma operação da Polícia Federal contra exportação ilegal de madeira, não compareceu a última reunião do Conselho do Amazônia.


Fonte: G1 – Política

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