Região

Região do Triângulo Mineiro sofre com crise hídrica mais severa

Os moradores da região metropolitana de Belo Horizonte não devem lidar com racionamento graças aos bons níveis dos reservatórios do Sistema Paraopeba, mas nas regiões Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, os cidadãos não têm a mesma tranquilidade. A crise hídrica é mais severa nessa área, e em algumas cidades, como Uberaba e Frutal, existe alguma forma de racionamento. Outras como Araxá e Capinópolis estão em estado de alerta.

As chuvas no primeiro semestre foram abaixo do esperado em todas as regiões de Minas, mas a oeste a situação foi muito pior. De acordo com o Instituto Mineiro de Águas (Igam), as precipitações no Triângulo Mineiro foram 45% menores do que o esperado. O resultado disso pode ser visto nos níveis dos reservatórios das principais usinas hidrelétricas da região: Emborcação está com 9,98%, e Nova Ponte com 10,1%. 

Mas, como o sistema de produção de energia no país é interligado, os níveis baixos dos reservatórios dessas usinas não impedem que a população seja atendida – a compensação acontece por meio de outras hidrelétricas, termoelétricas e outras fontes espalhadas pelo Brasil. O mesmo não se pode dizer do abastecimento de água, que depende completamente dos corpos hídricos disponíveis na região. 

Em Uberaba, os mais de 340 mil habitantes convivem com uma “intermitência no abastecimento” – a administração municipal prefere não utilizar o termo “racionamento”. De acordo com a Companhia Operacional de Desenvolvimento, Saneamento e Ações Urbanas (Codau), foi preciso adotar um planejamento de liberação de água em dois horários distintos, mas com as chuvas recentes, já foi possível ampliar o tempo de fornecimento do produto. 

Normalmente, no período de seca, quando cai o nível do rio Uberaba, a Codau recorre ao rio Claro para aumentar a captação. “Nos anos em que a estiagem é mais severa e o estresse hídrico do rio Uberaba aumenta, a transposição é acionada pela Codau. Em geral, acontece entre os meses de agosto a outubro. Entretanto, em 2021 ela entrou em atividade no dia 20 de junho”, explicou a empresa. No dia 23 de setembro, o Igam declarou situação de escassez hídrica no rio Uberaba, restringindo a captação de água. 

Em Frutal, também há racionamento, porque o rio que dá nome à cidade perdeu cerca de 50% do volume, de acordo com a Copasa, responsável pelo abastecimento neste e em outras 80 localidades da região. A situação ficou tão tensa no município de 60 mil habitantes que o prefeito Bruno de Jesus Ferreira (PP) anunciou que vai abrir um processo administrativo para rescindir o contrato com a companhia. A intenção da administração municipal é, em breve, abrir licitação para outro prestador do serviço. 

A Copasa afirmou que possui contrato de concessão de serviços válido até 2033 e “segue na prestação dos serviços de água e de esgoto, sempre pautada pela ética, pela transparência e pelo respeito aos clientes”. A empresa tem usado caminhões-pipa para garantir o fornecimento a Frutal, e um poço deve entrar em operação em 2022.

No momento. Campos Altos e Santa Rosa da Serra estavam em situação crítica, mas, com as últimas chuvas, os mananciais se recuperaram, descartando o risco de racionamento.

Variedade garante abastecimento em Uberlândia

Enquanto muitas cidades vivem as consequências da crise hídrica, o segundo maior município de MG está com o abastecimento normalizado. Com cerca de 700 mil habitantes, Uberlândia conta com três corpos hídricos para a captação de água: os rios Bom Jardim e Sucupira e o reservatório de Capim Branco I, que faz parte do complexo de represas referentes à usina de Nova Ponte. Esta última entrou em operação em maio deste ano. 

Segundo o diretor-técnico do Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae), Geraldo Sílvio de Oliveira, os três sistemas garantem a alta demanda da cidade, que chegou a 275 L por habitante no último mês. “A crise hídrica é intensa em nossa região e em boa parte de São Paulo, mas não temos isso neste momento por causa do trabalho de cercamento das áreas onde estão os mananciais, preservação dos nossos córregos e de conscientização em uma grande área da bacia (do rio Araguari)”, garante. 
Oliveira diz ainda que o município coleta 98,9% do esgoto – o restante seria referente a residências na zona rural – e trata 100% do material coletado.

Cidades em estado de atenção

Cidades do Alto Paranaíba atendidas pela Copasa estão em estado de atenção para um possível racionamento. A mais destacada é Araxá, de 107 mil habitantes, onde houve queda no volume de água das três fontes de abastecimento, os córregos da Areia, Feio e Fundo. Na cidade, já existe intermitência de abastecimento nas regiões mais altas. “Para controlar a situação, a empresa realizou trabalhos de interligações de redes”, afirma a Copasa. A Prefeitura de Araxá planeja ações de conscientização.

A situação é crítica ainda em Honorópolis, em Capinópolis e em Planura, onde caminhões-pipa levam água até os reservatórios. Em Capinópolis, duas captações emergenciais foram adotadas até regularização da situação, segundo a Copasa.




Fonte: Fonte: Jornal O Tempo

Jornal O Tempo

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