Região

Projeto que acolhe 800 pessoas em situação de rua por dia em BH será encerrado

Iniciativa que funciona na Serraria Souza Pinto, na região Centro-Sul de BH, para acolher de forma emergencial durante a pandemia moradores de rua, será prorrogada por 14 dias. O projeto vai fechar as portas no dia 13 de agosto. PBH diz, que o Centro Pop, no Barro Preto, na região Centro-Sul da capital, está sendo ampliado para ofertar os serviços do “Canto da Rua”

O Projeto Canto da Rua, que funciona na Serraria Souza Pinto, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, ganhou alguns dias a mais de existência. A iniciativa seria encerrada no dia 30 de julho. No entanto, a data do fim dos trabalhos foi prorrogada para o dia 13 de agosto. O anúncio foi feito na última terça-feira (20) pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), parceira do projeto, pela Secretaria de Estado e Desenvolvimento Social (Sedese), responsável pela gestão social realizada na Serraria, e a Fundação Clóvis Salgado (FCS), responsável pela concessão e manutenção dos eventos e ações realizadas no espaço.   

 Com apoio, investimento e incentivo de iniciativas públicas e privadas, o projeto foi criado há um ano e um mês, pela Pastoral Nacional do Povo de Rua, com o intuito de prestar acolhimento provisório e emergencial na pandemia aos sem-teto.  

No projeto, cerca de 800 pessoas por dia, têm acesso a banho, roupas limpas, alimentação, lazer, atendimento jurídico e auxílio de assistentes sociais – o que representa cerca de 316 mil atendimentos prestados até agora. Quem já se acostumou com a ação, acredita que o fechamento do espaço promete dificultar a vida daqueles que têm o Canto da Rua como ponto de chegada, cuidado, acolhida e partida.     

Éder Pereira, de 52 anos, é órfão de pai e mãe. Ele sempre morou nas ruas de Belo Horizonte e da região metropolitana. Éder conta que no projeto encontrou pela primeira vez na vida cuidado e atenção. “Aqui eu tenho espaço para tomar banho, lavar roupas, ganho e ainda posso escolher o que vestir e tenho lanche garantido. Aqui eu pude tirar meus documentos, coisa que eu não tinha. Consegui me livrar das drogas com a ajuda das assistentes sociais. Aqui eu recebo cuidado como nunca recebi na vida. Quando o Canto da Rua fechar minha vida vai voltar a ficar difícil. É um pedaço de mim que vai embora”, contou Pereira.    

 Além do acolhimento, a mulher trans Cindy Silva, de 28 anos, recebeu oportunidade. No projeto ela aprendeu uma profissão e teve a chance de sair das ruas. “Na rua cheguei a me prostituir em troca do que comer. Quando cheguei no projeto só queria ter o que comer e acabei me transformando em uma cidadã. Aqui me tornei auxiliar de limpeza. Eles me deram a oportunidade de trabalhar e de ter minha carteira assinada. Minha vida mudou completamente. Hoje saí da rua e com o meu salário moro em um cantinho. Quando aqui fechar só sei que o espaço vai deixar boas lembranças e gratidão. O que sei é que não vou desistir, quero trabalhar em lugares que lidem com pessoas que estão em situação de rua. Aprendi amar a causa”, disse a mulher trans.    

 

População não ficará desassistida   

Após o encerramento das atividades no projeto Canto da Rua todo o atendimento que é ofertado passará a ser oferecido no Centro Pop, localizado na avenida do Contorno, 10850, no Barro Preto, região Centro –Sul da capital, que passa por reforma. Outros núcleos como: albergues e casas de acolhimento, também serão ampliados para receber o público. “Neste momento outras unidades de acolhimento da capital voltadas para pessoas em situação de rua estão passando por reformas.  O Centro Pop por exemplo, será restruturado para ofertar de modo permanente o mesmo serviço que oferecemos de forma emergencial pelo projeto.”, explicou a coordenadora da ação social Canto da Rua, Flávia Gonzaga.    

“Os serviços de caráter continuado de atendimento e acompanhamento a esse público estão sendo reforçados, com ampliação do atendimento social, chuveiros, banheiros, guarda de pertences pelos Centros de Referência da População em Situação de Rua e oferta de alimentação gratuita pelos Restaurantes Populares”, detalhou a PBH, em nota.    

 

Serviço prorrogado

Em nota, a Sedese  informou que prorrogou pela décima vez a cessão da Serraria Souza Pinto, para que a PBH possa viabilizar o término de obras de espaços que irão acolher de forma permanente as pessoas atendidas pelo projeto.  A PBH informou que as obras no Centro Pop, estão previstas para serem finalizadas no início de agosto.  

 

  4,6 mil moradores de rua e 16 unidades de acolhimento   

Segundo levantamento realizado pela PBH, colhidos por meio de cadastramentos e atendimentos, nos primeiros meses de 2020, a capital contava com uma média de 4,6 mil moradores de rua. Para acolher este público o município conta com 16 unidades de acolhimento – “No caso das Casas de Passagem, como o Albergue Tia Branca e o Abrigo São Paulo, a demanda é espontânea e diária. No caso das demais modalidades, as famílias e indivíduos permanecem acolhidos, em formato de república”, explicou a nota da PBH.   

 

Iniciativa é inédita, diz especialista   

Para o coordenador do programa Polos da Cidadania da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), André Luiz Freitas, a iniciativa foi um marco na política assistencial da cidade e deveria integrar os programas regulares de auxílio do município.  “O encerramento do Canto da Rua representará uma grande perda para a população em situação de rua em Belo Horizonte. São mais de 9 mil pessoas em situação de rua no município. A metodologia desenvolvida pela Pastoral do Povo da Rua e o Movimento da População em Situação de Rua é completamente inédita, inovadora e deveria permanecer”, explicou Freitas. 




Fonte: Fonte: Jornal O Tempo

Jornal O Tempo

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