Região

Médico do Mater Dei que atestou óbito de Lorenza quebra o silêncio pela 1ª vez

Cardiologista estava de plantão no dia da morte da mulher do promotor André de Pinho e afirma que não possuía qualquer ligação pessoal com a família Pinho, alegam advogadas

Cinco dias depois da morte de Lorenza Maria Silva Pinho, 41, o médico do pronto-socorro do Mater Dei, Itamar Tadeu Gonçalves Cardoso, responsável pelo atestado de óbito assinado na residência da família Pinho, no bairro Buritis, na região Oeste de Belo Horizonte, quebrou o silêncio manifestou-se pela primeira vez nessa quarta-feira (7), sobre a repercussão, por meio de sua assessoria jurídica.

O clínico e cardiologista negou ter mantido quaisquer relações de cunho pessoal com a paciente atendida à manhã de sexta-feira (2) – quando morreu por uma pneumonite, segundo laudo – ou com o marido dela, o promotor André Luis Garcia de Pinho, que foi detido no domingo (4) e é investigado por recair sobre ele a suspeita de matá-la.

Em procedimento da Procuradoria-Geral de Justiça do Estado de Minas Gerais, o celular do médico foi recolhido como elemento de investigação por meio de um mandado de busca e apreensão cumprido no imóvel onde Itamar mora com a família, na região da Pampulha.

Advogadas à frente da representação do médico do Mater Dei, Tatiana Caldas e Pâmela Petzold, ressaltaram por meio de nota à imprensa que o clínico nunca relacionou-se em âmbito íntimo ou pessoal com o casal ou com seus filhos – Lorenza deixou três crianças e dois adolescentes com idades entre 2 e 17 anos, frutos do relacionamento de longa data, cerca de vinte anos, com o promotor.

“Pode-se apenas, no momento, afirmar categoricamente que o seu cliente (o cardiologista Itamar Tadeu Gonçalves Cardoso) não possui, nem nunca possuiu, qualquer relação pessoal com a paciente (Lorenza), muito menos com o investigado (André)”, citou a assessoria jurídica capitaneada pelas advogadas.

A hipótese de uma relação próxima entre Lorenza, o marido e o médico foi traçada a partir de comentários feitos pela mulher do promotor em fotografias publicadas pelo clínico em suas próprias redes sociais. Para o médico, em mensagens públicas no Instagram, ela escrevia elogios como “família linda!”.

À reportagem, em diálogo por telefone na tarde de quarta-feira (7), as representantes jurídicas do médico reafirmaram a inexistência de um elo de amizade entre Lorenza e Itamar, e ressaltaram que limites profissionais nunca foram ultrapassados – tendo o clínico prestado cuidados à mulher do promotor apenas em circunstâncias emergenciais no pronto-socorro do Hospital Mater Dei, onde ela, segundo informações obtidas pela reportagem a partir de amigas próximas, foi internada em 2017.

Advogadas reforçaram também que a conduta de Itamar Tadeu Gonçalves Cardoso parte de uma abordagem humanizada da medicina, valendo-se do ideal de tratar cada paciente como único, o que pode permitir que alguns deles se expressem com afeto pelo médico por meio das redes sociais, mas, sendo, de acordo com elas, respondidos com profissionalismo.

A assessoria jurídica citou como exemplo um comentário feito por Lorenza em uma publicação escrita pelo cardiologista sobre a importância da prática de exercício físico. Ela comentou: “dr. Itamar dando exemplo de como manter o coração saudável”; e o médico respondeu: “Coração saudável, corpo e mente sã (sic)”. Relações íntimas de Itamar com a família Pinho foram enfaticamente negadas.

O posicionamento por meio de documento que leva a insígnia do escritório Oliveira Caldas Advocacia e a ligação telefônica na quarta-feira (7) constituem as primeiras manifestações públicas feitas pela equipe ligada ao médico do Mater Dei desde a prisão do promotor André Luis Garcia de Pinho pela suspeita de que ele teria assassinado a mulher. Fonte ligada à reportagem mencionou que foram constatadas marcas de violência no corpo de Lorenza em necrópsia feita no Instituto Médico Legal (IML) de Belo Horizonte.

Segundo informações, o clínico cumpria escala de plantão à madrugada de sexta-feira (2) quando o Hospital Mater Dei foi acionado pelo promotor para prestar auxílio médico à mulher dele. Contratado pela unidade de saúde, o médico foi direcionado para lá em uma ambulância do próprio Mater Dei.

O serviço está disponível tanto para pacientes com convênios médicos aceitos pela instituição quanto para aqueles que desejarem pagar o hospital em âmbito particular. De acordo com apuração, pelo serviço de transporte prestado por ambulâncias equipadas com Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) é cobrado cerca de R$ 1.500.

De acordo com Sérgio Leonardo, ex-advogado do promotor André de Pinho, o cardiologista foi à residência da família Pinho para prestar atendimento médico a Lorenza. Ele tentou reanimá-la por cerca de 40 minutos, mas não houve êxito. Logo depois, Itamar assinou o atestado de óbito assegurando a morte dela.

Dois dias depois, no domingo (4), o funcionário do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) foi detido suspeito de matar a mulher. À ocasião, a reportagem procurou o médico Itamar em seu apartamento na região da Pampulha. A advogada que se apresentou àquela oportunidade disse que ele não falaria com a imprensa, e se pronunciaria apenas mediante juízo ou na presença de autoridade policial.

Em nota recebida nessa quarta-feira (7), o escritório responsável pela assessoria jurídica prestada a Itamar reforçou que esclarecimentos serão oferecidos apenas nos autos do inquérito presidido pela Procuradoria-Geral de Justiça do Estado de Minas Gerais. As advogadas pontuaram que não acessaram os autos do inquérito e insistiram que não podem citar em quaisquer detalhes referentes ao procedimento investigativo por ele correr em segredo de justiça.

Por meio do documento, elas destacaram que o médico lamenta a morte de Lorenza e dedica solidariedade à família dela “nesse delicado momento”. Novamente, endossaram que Itamar não era médico da Lorenza, e, contratado pelo Mater Dei, é responsável por atendimentos urgentes e emergenciais – atuando, inclusive, na linha de frente dos cuidados com pacientes com a Covid-19 – bem como outros médicos que trabalham no hospital. 

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Fonte: Fonte: Jornal O Tempo

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