Região

Homenagem à linha de frente: profissionais de saúde participam de celebração

Durante uma das datas mais importantes para os católicos, grupo carregou a cruz e representou a luta no combate ao coronavírus

Por trás de alas isoladas para pacientes com a Covid-19, a luta contra o tempo de médicos, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas e farmacêuticos em condições cada vez piores por conta do agravamento da pandemia. Em cada óbito, a dor da despedida vivida por cada profissional de saúde. E é da dedicação diária de profissionais de saúde como a Sara Gonçalves, que atua no Hospital São Francisco, que motivou a homenagem no Santuário Arquidiocesano São José, na região Central de Belo Horizonte, em uma das datas mais importantes para os católicos: a Sexta-feira da Paixão.

No intervalo entre um plantão de 24h e outro de 12h, a enfermeira participou da celebração especial para representar a linha de frente, que há mais de um ano trabalha sem parar e ajudou na recuperação de muitas das 11 milhões de pessoas que venceram a Covid-19. “É emocionante sermos lembrados, às vezes fazemos um papel que fica muito por trás das paredes e nem sempre temos reconhecimento. E com a situação ainda pior atualmente, cada profissional tem mostrado a sua importância. Estou exausta, mas estou aqui fazendo a minha parte, tentando mostrar que juntos conseguimos sair dessa situação”, destacou.

Além da Sara, outros três profissionais de saúde carregaram a cruz até o altar do santuário durante a celebração da Paixão de Cristo nesta tarde. A farmacêutica do Hospital Risoleta Neves, Débora Aquino, disse que o momento ajudou a refletir e ainda pedir forças para que todos os colegas consigam vencer essa difícil batalha contra a Covid-19. “Estamos vivendo a pior fase da pandemia e essa data tem um simbolismo muito grande. É um momento de orar, pedir para que Deus conforte todas as famílias e nos ajudar a seguirmos firmes”, disse.

Médica do Samu, Viviane Diniz de Resende lembrou que a cruz representa cada um dos pacientes que atendeu. “É assim que estou me sentindo, diante de tantos casos graves, que a cruz é como se fosse essas pessoas. A responsabilidade é muito grande em representar tantos profissionais que estão deixando a vida pessoal para se dedicar aos outros”, enfatizou. Também trabalhador do serviço, o enfermeiro Daniel dos Santos Fernandes acrescentou que esse momento de fé serve ainda para cada um pensar em suas ações e o que tem feito para ajudar o país a vencer a doença.

“Agora é hora de olhar para trás e refletir tudo aquilo que cada um fez, enquanto cidadão, e o quanto poderia ter contribuído para que a situação não tivesse da forma como está. O senso de coletividade nesse momento é muito importante, e as pessoas não têm isso ligado. Se a sociedade não se preocupar, nunca vamos resolver essa pandemia”, declarou. Para o gerente do Samu, a religião é fundamental em momentos como esse. “Ela nos religa, como o próprio significado da palavra diz, aos ensinamentos de Jesus. Muitas vezes, na lida com o paciente entre a vida e a morte, é a fé que nos sustenta”, afirmou.

Celebração sem público

Pela segunda vez consecutiva, a pandemia não permitiu com que o público participasse das celebrações no santuário, transmitidas através das redes sociais. O coordenador da Lei dos Redentoristas da igreja, Renato Alves de Souza, disse que, mesmo distante, é o momento de cada fiel ficar mais próximo de Deus. “Hoje o templo estaria lotado, com a via sacra até a Praça da Liberdade. Mas a gente pede que Cristo leve essa pandemia embora e nós possamos ser pessoas melhores em sociedade depois que tudo isso passar”, enfatizou.

Responsável por organizar a homenagem, Renato conta como surgiu a ideia. “Diante do dom que Deus dá para cada um, isso me fez chamar um enfermeiro, um farmacêutico e um médico para que representem, na nossa igreja, todos aqueles que estão na linha de frente, cuidando das pessoas que estão com Covid-19 e também outras doenças. Esse foi o nosso desejo, de dar voz e mostrar a importância deles na sociedade”, disse.

Durante a programação, o padre Carlos Viol também lembrou das mais de 325.000 pessoas que perderam a vida por conta do vírus. Conforme o sacerdote, todos esses óbitos aconteceram diante dos olhos de cada profissional da equipe de saúde. “E meditar sobre isso nesse dia especial, além do significado de terem entrado com a cruz, que estão carregando, mas sobretudo do gesto amoroso. Na cruz, quando Jesus se oferece por todos, o gesto dele de entrega na cruz vale para todo mundo”, finalizou.

 

Em tempos de desinformação e pandemia, o jornal O TEMPO reforça o compromisso com o jornalismo mineiro, profissional e de qualidade. Nossa redação produz diariamente informação responsável e que você pode confiar. Continue nos apoiando. Assine O TEMPO.




Fonte: Fonte: Jornal O Tempo

Jornal O Tempo

No mercado nacional de jornais impressos desde 1996, diariamente o jornal O TEMPO apresenta Minas, o Brasil e o mundo em uma cobertura de forte compromisso No mercado nacional de jornais impressos desde 1996, diariamente o jornal O TEMPO apresenta Minas, o Brasil e o mundo em uma cobertura de forte compromisso com o interesse do leitor. O periódico é composto por editorias que percorrem os diversos fatos do cotidiano da população, além de um conjunto de cadernos voltados para segmentos como turismo, automóveis, emprego e moda. Esse canal é feito para entrar em contato com você. Conecte-se a gente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo