Região

Empresa de obras teria lesado quase 100 clientes em mais de R$ 1 milhão

Consumidores pagaram adiantado por serviços de reforma que nunca foram concluídos

Seduzida pela facilidade de reformar o consultório odontológico com desconto de R$ 5.000, a dentista Sofia Lopes Cabaleiro, 36, não pensou duas vezes, e, em janeiro deste ano, pagou R$ 30 mil a uma empresa especializada em obras. Mas a reestruturação, que previa armários planejados e troca de revestimentos na sala, que fica na região de Venda Nova, em Belo Horizonte, acabou sendo abandonada.

Isso porque a dentista pode ter caído em um golpe. E não foi a única. Sofia e mais 14 pessoas registraram, até ontem, Boletins de Ocorrência (BOs) contra a empresa Orçamento Melhor pelos mesmos motivos: pagamento antecipado de obras que não foram concluídas. 

“Eles começaram a executar a obra no meu consultório de maneira extremamente malfeita, instalaram o porcelanato sem fazer a parte hidráulica. Ainda quiseram me cobrar um aditivo de R$ 15 mil para custos extras com o rebaixamento de gesso. Achei muito estranho e não paguei. Depois disso, não consegui mais falar com eles. A minha obra foi abandonada”, contou Sofia, que, para ver sua obra concluída, pagou R$ 40 mil a outra empresa, que fez o serviço em um mês. 

Mobilização

Nas redes sociais, uma página com as vítimas da empresa tem mais de 2.000 seguidores. Pelo WhatsApp, um grupo com 91 pessoas contabiliza prejuízo de cerca de R$ 1 milhão entre os integrantes. “Estamos planilhando os valores gastos por integrante do grupo. Com certeza, a conta vai fechar muito superior a R$ 1 milhão”, comentou o administrador do grupo, que pediu para não ser identificado. 

A pedagoga Mayara Brito, 32, pagou R$ 55 mil para a Orçamento Melhor, em novembro de 2020, pela reforma de seu apartamento, na região Leste da capital. A obra incluía acabamento em gesso, troca de pisos e armários planejados, dentre outras melhorias, que nunca foram feitas. 

“Saí do meu apartamento e aluguei outro porque a obra ficaria pronta em abril. Eles me cobraram um aditivo de R$ 17 mil para comprar mais materiais. Paguei. Já se passaram dez meses, e meu apartamento está todo quebrado. A obra foi abandonada, e o pessoal da empresa não me atende mais. O sonho dos móveis planejados vai ficar para depois. Agora não tenho como arcar com isso”, afirmou. 

Prestadora alega dificuldades financeiras

Funcionários da Orçamento Melhor disseram que a prestadora de serviços não entregava as obras e os móveis por falta de mão de obra qualificada, gestão e organização. Segundo eles, a sede da empresa e o galpão onde os móveis eram confeccionados foram fechados. 

“Os preços repassados aos clientes eram defasados. Os proprietários sabiam que não teriam como cumprir com os contratos. Além disso, estagiários acompanhavam obras e faziam os serviços de engenharia”, disse um funcionário, sob anonimato. 

Nenhum dos 20 colaboradores foi demitido, mas há pendências de pagamento. “Fomos encaminhados para casa, ninguém acertou com a gente. Não só os clientes foram lesados, nós, funcionários, também” completou outro profissional.

Procurada por O TEMPO, os responsáveis pela empresa Orçamento Melhor disseram, em nota, que a firma passa por dificuldades financeiras, mas que está se reestruturando para quitar o mais breve possível os débitos com sua carteira de clientes e com os funcionários.

Investigações

A empresa Orçamento Maior já estava na mira das investigações da Polícia Civil, após inúmeros boletins de ocorrência registrados contra ela.

Sobre ao andamento das apurações contra a Orçamento Maior, a Polícia Civil respondeu, em nota, que “já concluiu inquérito policial relativo à empresa investigada por meio da Delegacia Especializada em Investigação de Fraudes”. As medidas que foram tomadas em relação à empresa, porém, acabaram não sendo especificadas pela corporação em função do plantão de feriado. 

Denúncias ainda podem ser realizadas na Delegacia Especializada em Investigação em Fraudes, que fica na avenida Francisco Sales, 780, no bairro Santa Efigênia, na região Leste de Belo Horizonte. Mais informações pelos números 181 ou (31) 3340-1844.

Alerta

Para Ana Luiza Coutinho, advogada do Procon, não é recomendado pagar à vista por serviços e produtos de pronta-entrega. “Sugiro que o cliente pague uma entrada de até 30% do serviço, e o restante deve ser pago somente na conclusão do trabalho”, explicou, reforçando que se deve desconfiar de empresas que pedem “sinal”.

 

 




Fonte: Fonte: Jornal O Tempo

Jornal O Tempo

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