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Kim Jong-un admite ‘erros’ em estratégia de desenvolvimento econômico da Coreia do Norte

O dirigente da Coreia do Norte, Kim Jong-un, admitiu “erros” na estratégia de desenvolvimento econômico do país. O líder norte-coreano afirmou que plano econômico fracassou em “quase todos os âmbitos” durante discurso de abertura do 8º congresso do partido único, informou a imprensa estatal nesta quarta-feira (6).

Este congresso é o primeiro em cinco anos e o oitavo na história da Coreia do Norte. Começa duas semanas antes da posse do presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, no momento em que as relações com os Estados Unidos estão paralisadas.

O congresso do Partido dos Trabalhadores da Coreia (WPK) começou na terça-feira (5) em Pyongyang na presença de 7 mil delegados e participantes. Nenhum deles usava máscara, de acordo com fotos divulgadas pelo jornal oficial do partido, Rodong Sinmum.

Em seu discurso, o líder supremo do país mencionou o fracasso do plano quinquenal de desenvolvimento econômico adotado no último congresso de 2016.

Os resultados ficaram “muito abaixo de nossos objetivos em quase todos os âmbitos”, afirmou, de acordo com a agência oficial KCNA.

“Temos a intenção de analisar profundamente (…) nossas experiências, lições e os erros cometidos”, completou Kim, vestido com um terno preto em cuja lapela exibia retratos de seu pai e de seu avô, que o precederam à frente da Coreia do Norte.

A KCNA não detalhou os “erros” mencionados pelo líder norte-coreano. Mas o país passa por alguns problemas econômicos e políticos:

  • O país sofre com a má gestão da economia e o plano anterior foi abandonado discretamente ano passado.
  • A Coreia do Norte também foi duramente atingida por sanções internacionais impostas para forçar Pyongyang a desistir de seus programas nucleares e balísticos, que fizeram grandes avanços no governo de Kim.
  • Está mais isolado do que nunca desde que fechou as fronteiras há um ano para proteger-se da pandemia de coronavírus, que surgiu na China, seu poderoso vizinho e principal aliado.
  • O comércio com a China representa agora uma ínfima parte do que era. Muitas embaixadas fecharam as portas ou reduziram drasticamente o número de funcionários.

2 de 2 8º congresso do partido único da Coreia do Norte — Foto: AFP PHOTO/KCNA VIA KNS

8º congresso do partido único da Coreia do Norte — Foto: AFP PHOTO/KCNA VIA KNS

De acordo com os analistas, o congresso, voltado para temas internos, reafirmará a importância da “autossuficiência” e anunciará um novo plano econômico. No domingo (3), o jornal estatal “Rodong Sinmun” pediu lealdade inabalável ao líder supremo e afirmou que é necessário um “espírito de unidade” para ter um ano “vitorioso.

O congresso é a reunião mais importante do partido governante. Analistas examinam cuidadosamente o evento em busca de qualquer mudança nas orientações políticas ou na designação de altos funcionários. A irmã e conselheira do líder supremo, Kim Yo Jong, integra o comitê executivo do congresso, sinal de sua influência crescente.

O sétimo congresso, celebrado em 2016, o primeiro em quase 40 anos, contribuiu para forjar o status de Kim Jong-un como líder e herdeiro da dinastia dos Kim, no poder há sete décadas.

A edição deste ano mostra, de acordo com Ahn Chan-il, analista do Instituto Mundial de Estudos Norte-Coreanos de Seul, uma “necessidade urgente de solidariedade interna”. “O congresso do partido deve servir de faísca para restaurar a fé de uma opinião pública decepcionada”, opina.

O congresso foi precedido por uma campanha de mobilização que pediu aos norte-coreanos que trabalhassem horas extras e assumissem novas tarefas durante 80 dias para estimular a economia.

A menos de duas semanas da posse de Joe Biden, em 20 de janeiro, a Coreia do Norte poderia aproveitar a oportunidade para enviar uma mensagem a Washington.

“Sem Trump, a Coreia do Norte reafirmará sua tradicional hostilidade em relação aos Estados Unidos, com uma antecipação de suas futuras provocações”, considera Go Myong-hyun, do Instituto Asan de Estudos Políticos.

Kim Jong-un e Donald Trump tiveram altos e baixos, entre insultos e apertos de mãos. A relação com Joe Biden deve ser marcada pela tensão.

Imagens de satélite mostram “a intensificação de preparativos para um desfile militar”, informou o site 38North, poucos meses depois de Pyongyang ter apresentado um míssil balístico intercontinental gigante. Um desfile foi organizado durante o congresso de 2016, que durou quatro dias.


Fonte: G1 – Mundo

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