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Brusque acusa dirigente do Vila Nova de injúria racial; presidente goiano chama de ‘mimimi’ e rebate: ‘racismo hoje é dinheiro’

Mais uma acusação de racismo no futebol. Desta vez, na Série C do Campeonato Brasileiro. Em Goiânia, o Brusque venceu o Vila Nova por 3 a 0, mas a partida ficou marcada pelo fato de o clube catarinense acusar um dirigente da equipe goiana de ter chamado o atacante Jefferson Renan de “macaco”.

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O lance aconteceu pouco depois dos 25 minutos do segundo tempo. Um boletim de ocorrência foi registrado na noite deste sábado em uma delegacia de Polícia Civil de Goiânia. O dirigente seria Vinícius Marinari, do Conselho de Administração de Patrimônio do Vila Nova.

“Caso isolado! Um dirigente do Vila Nova chamou o atleta Jefferson Renan, de ‘macaco’, se referindo a cor do atleta.”, escreveu o Brusque.

À Rádio Sagres, de Goiânia, o vice-presidente do Brusque, Carlos Bento, confirmou a acusação. Lara Vantzen, assessora de imprensa do clube catarinense, foi à delegacia prestar depoimento.

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— Logo depois dos 25 minutos, nosso jogador sofreu uma falta que achamos que era para expulsão. Houve xingamentos, até que um dirigente falou ‘levanta aí, seu macaco’. Ali, passou dos limites do que aconteceu no futebol. Chamei um dirigente do Brusque e pedi para que um rapaz da CBF viesse para relatarmos o caso. Não há mais espaço no futebol. Quando o policial veio reclamar, um rapaz disse que ‘eu não tinha provas para acusar’. Respondi que ele ‘nem sabia do que eu tava falando’. Ali, eles já se entregaram — confirmou a assessora de imprensa.

Por meio de nota oficial, o Vila Nova afirmou que “ao término da partida, o próprio atleta, ao ser consultado pela Polícia Militar, negou o ocorrido e não confirmou a acusação. Vale ressaltar que a denunciante não apresentou prova e a situação está sendo apurada pelas autoridades. Cumpre frisar que ninguém ao redor aduziu ter ouvido qualquer ofensa proferida”, disse. “O Vila Nova Futebol Clube repudia todos os tipos de atos preconceituosos em qualquer forma de manifestação.”

Jefferson Renan prestou depoimento em uma delegacia de Goiânia, abriu Boletim de Ocorrência e relatou que foi ameaçado por dirigentes do Vila Nova.

— Relatei para o juiz que não ouvi o xingamento. Mas ela (assessora) ouviu e foi bem firme com tudo isso. Ela é uma pessoa que a gente confia muito e tem meu apoio. É um caso que tivemos que relatar, fazer B.O. Eles (dirigentes do Vila Nova) falaram que iam fazer a nossa vida ia virar um inferno. Para a gente não tem problema, nós queremos Justiça e vamos colocar tudo na mão de Deus. Somos pessoas humildes — declarou.

Dirigente reage

Já na delegacia, o presidente do Vila Nova, Hugo Jorge Bravo, classificou a atitude como “mimimi”. O clube goiano nega a acusação e afirma que irá processar o Brusque por calúnia e difamação.

— Hoje, o brasileiro de uma forma geral está mimizento. Ele se preocupa com coisas ridículas e se esquecem de coisas importantíssimas, que são as questões morais de uma sociedade. Vocês vão me desculpar: racismo hoje é dinheiro, gente. Para com isso. Coloca eu, neguinho, andando em uma BMW e vê se a mulherada não vai olhar. E vê se eu fosse o Brad Pitt pobre de bicicleta, se iam olhar. Hoje a sociedade arrebenta quem é pobre, seja preto, branco o que for. Quem se lasca nesse país é a classe média. O futebol brasileiro está acabando por causa disso: é jogador mimizento, é imprensa mimizenta, é diretor mimizento. O povo não está preocupado com o que realmente importa, em utilizar a urna para ser instrumento de relação social. Hoje a família está perdendo a essência, as pessoas estão se preocupando menos com Deus, nossos valores estão estraçalhados e vem uma piada dessa — declarou o presidente à Rádio Bandeirantes.

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O Vila Nova também emitiu uma nota oficial sobre o episódio.

“No segundo tempo da 4ª rodada da 2ª fase da Série C 2020, em partida entre Vila Nova e Brusque no Estádio Onésio Brasileiro Alvarenga (OBA), em Goiânia, a assessora de imprensa do clube visitante acionou a polícia alegando que um membro da diretoria vilanovense teria proferido palavras injuriosas de cunho racista em desfavor do atleta Jefferson Renan, camisa 20 do time catarinense.

Ao término da partida, o próprio atleta, ao ser consultado pela Polícia Militar, negou o ocorrido e não confirmou a acusação. Vale ressaltar que a denunciante não apresentou prova e a situação está sendo apurada pelas autoridades. Cumpre frisar que ninguém ao redor aduziu ter ouvido qualquer ofensa proferida.

O Vila Nova Futebol Clube repudia todos os tipos de atos preconceituosos em qualquer forma de manifestação. O clube reafirma frequentemente, com ações práticas, o combate ao racismo, como no seu terceiro uniforme “Manto Do Povo” estampado com a frase Vidas Negras Importam, reforçando seu histórico de luta popular, inclusão social e respeito.

A instituição se coloca à disposição para esclarecimentos e acompanhará de perto as apurações do caso”

O Brusque venceu o Vila Nova por 3 a 0, com dois gols de Thiago Alagoano e um de Marco Antonio. Com isso, chega a seis pontos e dorme na liderança do Grupo C. O Vila Nova estaciona nos quatro pontos e cai para a última posição.

O Tigre volta a campo no próximo sábado (9), novamente no OBA, contra o Santa Cruz. Já a equipe catarinense só atua na outra segunda-feira (11), quando recebe o Ituano no estádio Augusto Bauer, em Santa Catarina.




Fonte: Fonte: Jornal Extra

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