Arte & Cultura

Brasília, 60 anos: as gírias da capital federal

Criado em 20/04/20 21h01
e atualizado em 20/04/20 22h00

Como a própria língua portuguesa, as gírias também são vivas e mudam com o passar do tempo; e em 60 anos, as gerações de Brasília já usaram muitas delas, mas quais são genuínas da capital federal? Segundo o professor e sociolinguista Newton Lima Neto, mais importante que saber se nasceram aqui, ou vieram de outro lugar, é entender se há consistência no uso delas.

Assista ao vídeo abaixo

“A gente dificilmente chegará a uma resposta se “véi” é uma gíria tipicamente brasiliense. Você pode ir no interior de São Paulo e encontrar também essa gíria, mas como que ela é falada lá? Em Brasília, você altera a entonação e você pode mudar completamente o sentido da frase”, explica. 

As gírias são palavras que ganham novos sentidos entre um grupo de pessoas. Segundo Newton, elas fazem parte do dialeto, que inclui sotaque, ritmo e palavras.Algumas surgem em função de comportamentos, lugares e até características arquitetônicas de uma cidade. “Na parte central de Brasília, no Plano Piloto, vários termos têm entrado na fala do jovem, como tesourinha, fazer um balão, ou então, brincar debaixo do bloco, não necessariamente isso é a verdade em outros estados, outras cidades”, explica.

Muitas gírias são lançadas entre grupos de pessoas que vivem em uma cidade, mas nem todas vão realmente compor o repertório de expressões daquele lugar. Newton lembra do exemplo da gíria “camelo” empregada para identificar a bicicleta, que ganhou fama em música da banda Legião Urbana. “Talvez aquele pequeno grupo de jovens usava camelo, mas um deles ficou famoso. Então, a gente não pode atribuir necessariamente camelo como uma expressão tipicamente brasiliense, porque se você escuta a fala dos jovens hoje, quem é que está usando isso?”, diz.

Assim como o sotaque, as gírias contam partes da história e constituem uma importante ferramenta na construção cultural de Brasília. “Se uma comunidade está escolhendo determinadas expressões para compor o seu repertório linguístico, isso aponta, sim, para uma constituição de identidade”, diz Newton.

 

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Equipe de reportagem


Texto e produção: Fabíola Sinimbu 

Imagens: Jorge Monforte

Edição: Edgard Matsuki e Alessandra Esteves

Arte: Bruno Godinho

Finalização: Daniel Dresch

Creative Commons – CC BY 3.0




Fonte: Fonte: Agência Brasil

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Agência Brasil

Agência pública de notícias vinculada à Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Informação, cidadania, educação e cultura.

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